sábado, 13 de julho de 2013

Madeleine e sua história- Cap.I





   Meu nome é Madeleine e estou no plano espiritual há muito tempo. Os mentores  explicaram que  preciso aprender mais para reencarnar  na Terra. Não esqueço e nem perdoo quem me fez mal. E, com a ajuda da médium, gostaria de contar  minha vida pretérita em Paris, na França.

    A lembrança de vidas pretéritas é um processo muito individual que depende em parte  do merecimento espiritual, da evolução do espírito e do motivo. Quando desencarnamos passamos por um processo de adaptação à nova vida no plano espiritual. E, nem todos os espíritos estão preparados para saber o que foram em suas vidas pretéritas. O véu só é tirado por um motivo muito nobre ou por um processo de cura espiritual. Ou então, um processo natural de um espírito evoluído ou arrependido.

  As encarnações mais difíceis e sacrificiais podem ser as mais meritórias e das quais o homem evolui mais... E, nem sempre, ser um homem importante na Terra significa uma vida brilhante. Alguns espíritos tropeçam diante do poder. Outros diante das tentações da matéria; facilidades materiais, inteligência ou beleza física. E, nem sempre estão preparados para lembrar dos seus erros. Preferem voltar a Terra ainda embalados pelo segredo e pelo véu da obscuridade. 

 Tivemos muitas vidas e assim reencarnaremos até chegar à perfeição. "Há muitas moradas na Casa do meu Pai"- afirmou Jesus. Alguns espíritos reencarnam em mundos mais evoluídos e outros em mundos mais imperfeitos. A Terra é considerada um planeta de expiação. Espíritos evoluídos e missionários se misturam a criminosos, doentes, psicopatas. 

  Creio que, um dia, a Terra será um planeta de regeneração onde almas afins poderão viver com tranquilidade e cumprindo missões mais sublimes. Aí, o sofrimento não será mais necessário e nem a morte. As pessoas podem partir para outros planos siderais sem precisarem se afastar dos seus entes queridos.

 Quando desencarnei fiquei muito perturbada mas fui socorrida por irmãos espirituais abnegados e evoluídos. Fiquei sabendo de algumas vidas pretéritas e, na maioria delas, falhei  bastante. Não houve muito progresso. Utilizei mal meu livre arbítrio e abandonei minha família. Só pensei em mim mesma. Estava revoltada e muito triste. Agora, me sinto mais aliviada. 

 De acordo com minhas vidas pretéritas de facilidades e muita beleza concordei em voltar. Soube que seria arrancada de minha família muito cedo, mas quando na Terra, tudo fica mais difícil. E também que reencontraria um grande amor do passado. Era um homem que sempre fez parte de muitas encarnações. Meu amado, minha alma gêmea. No entanto, ele também tinha sido desprezado por mim mas havia me perdoado. Eu estava aflita para voltar a Terra e me sentir melhor. Tive permissão para escolher o local, mas os detalhes da vida em Paris foram negados. Alguns espíritos missionários, evoluídos ou maduros podem opinar sobre suas futuras encarnações.

   Aprendi a dar valor à vida mas em várias encarnações cometi suicídio. Às vezes, por simples capricho, outras por ter a alma perturbada. E, por conta disso, tive reencarnações muito curtas onde aprendi a dar mais valor à vida. Deus não castiga; nós colhemos o que plantamos. Até nossa forma física em cada encarnação é trabalhada em cada detalhe. Tudo com o objetivo da melhoria espiritual e da nossa felicidade. Não falo da felicidade efêmera dos caprichos realizados mas daquela que ninguém vai tirar: a felicidade do dever cumprido, o êxtase do amor e da fraternidade. E a paz que ninguém consegue comprar com dinheiro. O espírito endividado e arrependido não tem paz. Enquanto, não conserta seus erros através da reencarnação pode ficar séculos perturbado ou triste. Cada espírito tem seu merecimento. 

  Qualquer avanço espiritual é premiado com encarnações mais meritórias e felizes. Alguns espíritos são tão endividados que perdem o livre arbítrio. Reencarnam em corpos muito doentes com cérebros limitados. Ou até numa vida vegetativa. Mesmo assim, um dia o espírito se livrará da matéria grosseira e conquistará sua liberdade no mundo espiritual. 

   O sofrimento nem sempre é expiação. Algumas almas voltam a Terra para ajudar um ente querido. Voltam por amor. E o sofrimento vem por conta desse amor renúncia que nem sempre é reconhecido. E o que pensa ser uma vida penosa pode ser para espírito um grande aprendizado. O médium Chico Xavier foi um espírito missionário. Veio a Terra para amar, aprender e cumprir sua missão. Se esse grande espírito sofreu não foi por revolta mas sim por conta do seu aprendizado espiritual. E eu acho que esse espírito era muito evoluído e, talvez, precisasse acertar algumas continhas na Terra. Agora, se eu pergunto o destino dessa alma abençoada preferem silenciar. Chico Xavier deve estar num plano muito feliz e merecidamente. No entanto, as grandes almas só ficam felizes quando amam e quando ajudam o próximo. 

  O ser humano em evolução precisa sofrer para aprender a viver, mas nem sempre isso acontece. Não nascemos para sofrer , mas sim para aprender. A Terra é uma grande escola de aprendizado!

   Não tenha receio da vida. A vida na Terra é uma nova chance para amar e ser feliz. Fazer os outros felizes. Aprender cada vez mais e galgar aos poucos a escada da evolução espiritual. Se você encheu seu caminho de pedras através do ódio, do egoísmo terá que retornar. E, plantar flores onde jogou pedras. Enxugar as lágrimas daqueles que você prejudicou. 



  Reencarnei na França e falhei novamente. Sim, aprendi bastante principalmente sobre o amor humano entre homem e mulher. No entanto, voltei para cá muito aflita e triste. E o que me revolta um pouco é não poder ver e nem saber sobre meu grande amor Pierre que também está desencarnado.

   Aos poucos, vou contar minha história nesse blog mediúnico. Será um processo de aprendizado entre mim e a médium. Trata-se de um aprendizado perseverante. Sempre que for necessário vou refazer os textos. Tudo sob a orientação do meu protetor espiritual. Ele é sábio; eu ainda estou aprendendo.

 Eu era muito pobre quando vivi na França.Minha mãe teve muitos filhos e jamais conheci meu pai. Quando  eu completei quatorze anos  ela me levou a uma casa muito bonita. Jamais esqueci o aroma da casa: um perfume forte, mas agradável. Um casarão cheio de música com uma escada muito limpa. Mesas com toalhas vermelhas e um ambiente à meia luz. Os perfumes da casa ficaram na minha memória. Provocam nostalgia e um pouco de sofrimento. Foi um local onde sofri e, ao mesmo tempo , conheci meu grande amor.
 
 Uma senhora de sorriso simpático abriu a porta do cabaré. Percebi que minha mãe já a conhecia há muito tempo. Conversaram bastante e minha mãe segredou no meu ouvido:

"- Você vai ficar aqui durante algum tempo. Carlota vai cuidar de você!"- minha mãe caminhou em direção à porta enquanto duas lágrimas escorreram do meu rosto.

    Eu  já sabia que tipo de lugar era aquele. Dona Carlota foi gentil comigo e me levou para um quarto. Lá estava ela, Marie, uma linda jovem de olhos verdes. Devia ter pelo menos uns vinte anos, mas seu olhar era de uma jovem experiente. Seria minha companheira de quarto,mas quando a vi senti um forte arrepio. 

  Jamais me esqueci da dor e da saudade de me separar da minha família. Éramos muito pobres, mas eu queria todo mundo junto e feliz. A fome grassava. A miséria estava passando muito perto  da nossa casa . Minha casa tinha cheiro de lenha e de madeira. Dividia o quarto com meus irmãos.  Gostava da companhia dos meus irmãos e da minha querida mãezinha. Pensava em trabalhar, mas naquela época tudo era mais difícil para uma mulher pobre e sem nome importante. Sem dote. Sem partido para se casar. 

 Não me lembro direito quando fui para o cabaré, mas era muito nova e virgem. Acho que minha mãe fez um negócio. Acho que ela me vendeu. Até agora não consigo perdoar ou compreender... Quando me lembro dessa encarnação sofro muito, mas estou contando minha vida por causa de um objetivo nobre. Meu protetor espiritual disse que, através dessa história, muitas pessoas poderão aprender a viver, a amar e a ter esperança no futuro. 

   Minha mãe havia me levado para uma casa de prostituição. Chorei dias seguidos; tentei fugir mas não consegui. Não saía do meu quarto. Tentei me matar, mas Carlota mudou o tratamento comigo. Ela afirmou:

- Você vai morar aqui agora e precisa pagar sua comida e sua moradia. E, larga de ser boba, menina, os homens pagarão muito bem por uma jovem bonita como você! Sua mãe saiu da cidade. Jamais a verá!- seu olhar estava frio e duro. Parei de chorar e me sentei na cama. Senti o gosto salgado das lágrimas que escorriam pelo rosto. Implorei:

"- Posso lavar o chão, cuidar da casa, Dona Carlota! Por favor! Não quero me deitar com um homem"- a mulher sorriu  e alisou meus cabelos  compridos. (Nessa encarnação, Madeleine tinha as madeixas escuras, mas quando a vejo são são de um loiro escuro. Cabelos finos e muito lisos.-nota da médium*)

 - Sua beleza tem que ser preservada, menina!Engole o choro. Marie vai lhe arrumar roupas novas. Sua vida vai mudar desde que seja esperta. Marie vai lhe explicar tudo!- explicou a senhora enquanto arrumava o cabelo preso num coque.

  Minha vida mudou completamente. Vestia roupas  lindas e logo comecei a chamar a atenção naquele lugar.]Minha primeira vez com um cliente foi muito ruim. O homem tinha um olhar estranho e pensei que fosse me machucar. Seus olhos eram frios e brilhantes. Não falou uma palavra. Foi tudo muito rápido. Lembro-me que ele me disse:

 "- Paguei muito para ser seu primeiro homem! Você é linda, mas precisa aprender muito ainda."- falou em tom malicioso. Saiu do quarto e fechou a porta atrás de si. Passei a noite toda chorando muito. E a partir daquele dia comecei a pensar numa fuga. No início, perguntava da minha mãe e dos meus irmãos. Carlota dava de ombros. Falava qualquer coisa. Pedia que eu me esquecesse da minha família.

 Depois da primeira noite, a adolescente frágil e medrosa morreu para os sonhos. Os anos foram passando  e fiquei muito tempo sem ter notícias da minha mãezinha. Meu objetivo era juntar dinheiro e sair daquele lugar.

  Eu tinha muitos clientes, mas Marie começou a mostrar sua verdadeira personalidade. Era muito invejosa, mas eu aprendi que era mais esperta do que ela. Sofri muito até descobrir que haviam pessoas muito más no mundo. Parei de rezar e acreditar em Deus! Comecei a odiar minha mãe! Enfim, tudo o que tinha de bom dentro de mim havia morrido. Precisava me defender para viver naquele lugar.

No entanto, agora estou aprendendo que Deus não nos abandona jamais!

E, naquela noite de lua cheia conheci Pierre... e tudo mudou...

Volto para continuar a história....


Madeleine

Um comentário:

  1. Uau, triste e emocionante. Me dá um frio no estômago de pensar em uma menina abandonada em um cabaré. Tenho dois filhos pequenos e muito amigos. Imagino o sofrimento em separá-los e fazê-lo de mim.

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