O espetáculo da vida é o amor! A vida na Terra
é muito difícil, mas cheia de surpresas. A matéria pode ser uma grande
ferramenta para a evolução, porque através dela nos esquecemos momentaneamente
de encarnações passadas. É um novo tempo para renovar a vida. Entramos em
contato com novas pessoas, mas na verdade, são espíritos também encarnados que
já conhecíamos de outras vidas. O véu está parcialmente encoberto.
Durante o
sono, certas lembranças podem voltar. O irmão pode ser um grande amigo de outras
eras. A mãe problemática pode ter sido aquele amor que você abandonou sem
motivo. O amigo ingrato um inimigo de outras eras. Inimizade que
você mesmo provocou por conta do seu comportamento egoísta. A mãe dedicada um espírito que você ajudou em outras vidas. No entanto, quando
você está encarnado poderá fazer outras amizades. Aumentar seus afetos. Fazer amigos
e o esquecimento de outras vidas será muito providencial.
Sei que agora o véu das vidas passadas pode
ser descoberto por conta de terapia de regressão de vidas passadas. Os mentores
siderais vêem esses novos caminho com certo cuidado. Se a pessoa não estiver
preparada para relembrar suas encarnações pode se tornar um embaraço e,
não, uma libertação. Se for bem orientada por um profissional capacitado pode curar e amenizar fobias, traumas e algumas doenças. O progresso
vem de acordo com o merecimento do ser humano ou seu preparo para se utilizar
novas ferramentas.
Essa encarnação foi proveitosa embora muito sofrida. Errei muito, mas é por causa disso que ela sempre vem à
tona. Reencontrei na Terra meu grande amor. Pierre.Nós nos reencontramos na França no cabaré da Carlota. Ele era um pouco mais
velho do que e mais evoluído. Em outras vidas, sempre fui
apaixonada por ele, mas sempre o abandonava. Tinha sede de poder e usava os
homens para ter muito dinheiro. Aproveitava a minha beleza física para
manipular e enganar os homens.
Nessa encarnação como prostituta aprendi
bastante. Já havia conseguido alguns progressos numa encarnação como noviça.
Vivi muito pouco, mas passei a minha vida num convento de freiras. Elas eram
muito exigentes; sofria castigos horríveis, mas precisei dessas lições. Aprendi
a rezar um pouco, mas sempre fui uma pessoa revoltada. Nada estava bom para
mim, porque certamente, relembrava as encarnações de beleza e poder. Como
noviça minha vida era um quarto escuro e frio. Sem cortinas e sem beleza.
Solitária. Meu corpo era frágil. Meu rosto era comum. Os cabelos muito curtos
me davam a aparência de um menino. Gostava dos meus olhos porque eram muito
vivos. Aos vinte anos, contraí pneumonia. Desencarnei após alguns dias de febre
alta. As irmãs oravam por mim. Pediam que eu me arrependesse dos meus pecados.
Meu único pecado era a revolta e a vontade de fugir daquele lugar solitário e
cinza. Voltei ao mundo espiritual um pouco mais humilde. No entanto, a fé ainda
era muito fraca. E a autoestima estava longe de me alcançar. Jamais assumia
meus erros. Isso custou ao meu anjo de guarda muito trabalho.
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Alguns
espíritos reencarnam na mesma época, mas não podem ficar juntos. Ou porque já
assumiram compromisso com outra pessoa na Espiritualidade ou não há
possibilidade de reencontro. O destino não favorece e os obstáculos são
variados.
O
amor entre duas almas é muito complicado na Terra, mas não deveria ser. Acho
que a gente complica muito, porque ainda é imperfeito. Os defeitos mais
grosseiros são aqueles que nos escravizam...Amor é libertação.
As
almas passam por várias experiências. E alguns espíritos que se amam podem vir
para viver vários tipos de amor: amor de mãe para filho, amor de irmãos, amor
de amigo, amor fraterno, enfim, experiências para que o espírito experimente o
amor de diversas formas.
Queremos
amor e ninguém vive sem amor! Amor pelas criaturas, pelos animais, por uma
causa ou ideal.
Jamais esqueci o dia em que Pierre entrou na
minha vida. Cada moça tinha seu próprio quarto naquele casarão. Não havia muito
luxo, mas era confortável. Carlota arrumava tudo com muito esmero. As cortinas
eram de veludo vermelho escuro e a cama muito macia. Havia também uma mesinha e
tínhamos toalete privativa.
Antes
de subirmos para o quarto a gente ouvia boa música. As bebidas servidas no
cabaré eram muito caras e os homens gostavam de beber.
Eu não queria descer naquela noite. Minha
cabeça doía bastante e estava muito indisposta infeliz e desanimada. Marie
entrou no meu quarto e me olhou de soslaio:
“–
Precisa descer, Madeleine! O bar está cheio! Pensa que é especial, não? - ela
ironizou. Não havia alternativa. As moças tinham que trabalhar todas as noites.
Carlota só nos dispensava quando estávamos muito doentes. E, no início da
semana, tínhamos descanso. Dormíamos muito. Eu sentia muito sono. Marie
mordiscou o lábio superior e deu um passo de dança. Fez uma pirueta e me
disse”:
- Pierre voltou! Ele sempre me escolhe!
Quero ser exclusiva, porque ele tem muito dinheiro. – Marie sorriu com malícia.
Eu me lembrei do homem misterioso que sempre ficava na sua mesa. Quando ele
chegava Carlota o tratava muito bem. Pierre era um homem alto, magro, de
cabelos e olhos muito escuros. Tinha bigode e barba cerrada. Parecia educado e
de sotaque diferente. Eu não conseguia parar de olhar para ele. Sentia um
arrepio gostoso percorrer minha espinha. Quando Pierre sorria, uma covinha
surgia na sua bochecha esquerda. Ele bebia muito pouco, mas sempre estava
alegre. Subia para o quarto com mulheres bonitas. Marie sempre era a escolhida
e eu comecei a ficar com ciúmes. No entanto, meu comportamento era sempre
discreto. Pierre me olhava de soslaio. Uma vez, me deu uma piscadela. Marie
parecia notar nossos flertes.
Esqueci
o mal estar e coloquei um vestido azul de veludo que era comprido, mas
muito bonito. Escovei meus cabelos castanhos enquanto me olhava no espelho da
penteadeira. Passei carmim nos lábios.
Quando eu desci a música já havia começado.
Alguns músicos tocavam uma música muito linda. As meninas bebiam com os homens
e falavam alto. Carlota olhou fixo pra mim quando eu desci. Ela conversava
sozinha com Pierre numa mesa. Ele vestia um casaco muito bonito marrom. Sua
pele era bonita e os olhos sorriam. Os olhos amendoados eram divertidos, mas a
boca fazia um rictus que endurecia um pouco sua expressão. Eu sentia que Pierre
tinha um drama em sua vida.
Marie
conversava e bebia com um homem alto que falava com sotaque forte. Ela ria
muito e olhava para Pierre. Meu coração deu um salto! Pierre olhou
para a escada enquanto eu descia. Sorriu para mim e sua covinha apareceu. Marie
olhou para mim com ar de censura. Saiu da sua mesa e foi até Pierre. Ela
segurava uma taça de champagne. Riu e ofereceu bebida a ele. Pierre agradeceu,
mas continuava em pé. Carlota e ele falavam animadamente.
Eu escolhi uma mesa. Sentei-me de modo
discreto. Jaime, o garçom colocou vinho em minha mesa. Marie passou por mim e
virou o rosto. Estava acompanhada de um senhor baixo e de barriga saliente. Era
o conde Louis, um homem muito rico. O casal subiu para os quartos. Eu estranhei
que Pierre não preferiu a companhia de Marie. As mesas estavam cheias de homens
e cortesãs. Eu gostava de ouvir tango. Comecei a bebericar vinho. Pierre e
Carlota se aproximaram de mim. Carlota estava mais amável. Esse comportamento
não era muito freqüente. Ela sussurrou:
“-
Querida Madeleine, Pierre deseja ficar na sua mesa.- Pierre olhou para mim com
ternura. Meu coração começou a pular e as mãos ficaram frias. Fazia algum tempo
que não era virgem. Fazer amor com os homens era penoso para mim. Quando estava
com eles na penumbra no meu quarto odiava minha mãe. O ódio chegava a doer.
Minha alma doía de ódio e revolta!”.
Carlota se levantou e foi para os seus
aposentos. A noite estava movimentada no cabaré.
Eu já havia conhecido muitos homens. Alguns
eram generosos e pagavam bem. Outros eram grosseiros e estúpidos. Estava
conseguindo guardar algum dinheiro. Uma regra do cabaré: não se apaixonar.
Senti o perfume discreto de Pierre. E,
também seu olhar penetrante e envolvente. Amei-o desde o primeiro instante!